Exame do Estado Mental (EEM) – Aparência


O aspecto da pessoa é avaliado, desde a idade, altura, peso, vestuário (se está limpo, sujo, aspecto bizarro, roupas incongruentes, muito coloridas). A atitude dominante durante a entrevista também é alvo de consideração (se desconfiado, receptivo, evita responder às perguntas, etc)
Comportamento
Como a pessoa se move, posições do corpo (flexibilidade cérea, comum na esquizofrenia hebefrênica ou hebefrenia), agitação psicomotora. Movimentos anormais como coréia, tiques ou tremores também são descritos aqui.
Discurso
Costuma-se separar discurso de pensamento no EEM. No geral, em discurso descreve-se o volume que a pessoa usa ao falar, fluxo, velocidade. Maneirismos, sotaques, hesitações (ou bloqueios), tiques vocais são descritos aqui.
Humor e afeto
Afeto é a expressão de uma emoção e humor é o estado emocional do indivíduo, relatado pelo mesmo. O afeto de uma pessoa pode variar desde depressivo (depressão nervosa), elação ou eufórico, irritado e normal. Se a sensação que se tem ao final do exame é de um estado depressivo, tal deve ser descrito em humor. Os vários estados afetivos demonstram se uma pessoa demonstra uma expansão do seu afeto ou se o mesmo se encontra restrito (muitas vezes descrito como aplainado ou embotado). Também é importante notar se o afeto está incongruente (por exemplo um indivíduo ri ao invés de chorar quando lhe contam uma notícia triste). Aspectos culturais devem ser considerados.
Percepção
Na percepção é avaliada a sensopercepção do paciente, ou seja, como ele recebe (sentidos) e percebe (interpretação) o mundo. Descreve-se aqui fenômenos como alucinação e ilusão. A natureza de cada experiência deve ser descrita em detalhes. Alucinações auditivas, por exemplo, são comuns na esquizofrenia enquanto alucinações visuais são frequentes em doenças orgânicas. Deve-se questionar sobre alterações de todos os sentidos pois as alucinações podem ser olfativas, cenestésicas, etc.
Alguns dos sintomas de Kurt Schneider de primeira ordem são alucinatórios, como o eco do pensamento (gedankenlautverden), roubo do pensamento e inserção de pensamentos. Despersonalização (o indivíduo sente-se irreal) e desrealização (sente o mundo como irreal) também devem ser descritos aqui.
Também é importante verificar se as alucinações ocorrem na segunda pessoa (conversa com o paciente) ou na terceira pessoa (conversam entre si) e se comandam o doente (atos homicidas ou suicidas). Às vezes as alucinações podem ser outros sons além de vozes, como sinos, latidos, sons de motores, zumbidos, etc. Também podem ser outros fenômenos visuais como halos ou cores difíceis de descrever. Estas são chamadas alucinações elementares
Alucinações extra-campinas são aquelas nas quais o paciente vê ou ouve coisas fora de seu campo sensorial (ouvir uma voz a 3 km de distância, ver através de paredes, etc).
Deve-se questionar como a pessoa lida com as alucinações, se são assustadoras, angustiantes ou prazerosas.
Pensamento
Esta categoria é dividida em forma (como a pessoa pensa) e conteúdo (o quê se pensa).
Na maioria das vezes o indivíduo com depressão profunda, ela não pensa em outra coisa a não ser o suicídio.
Nada mais do que ela pensa, mais faz sentido.
Como antes fazer as tarefas de costumes eram normais, passam a ser muito difíceis. São elas:
• O prazer de tomar banho;
• Fazer a barba;
• Trabalhar;
• Conversar com outras pessoas, (torna-se insuportável);
• Concentração quase zero “0 Pensamento a mil”;
• Pensamento de suicídio ou mesmo homicídio;
• Convivência com outras pessoas;
• Pensamentos repetitivos, tagarelices;
• Sonolência excessiva ou insônia;
Processo/Forma
Nesta categoria, avalia-se a velocidade do pensamento, fluxo e como está conectado A perturbação do pensamento formal ocorre quando há “pressão” para se pensar (excessivamente rápido), fuga de idéias, bloqueio do pensamento, desconexão do pensamento ou pensamento desagregado (quando há perda de associação entre as idéias), podendo chegar ao ponto de “salada de palavras”, quando o paciente apenas responde palavras desconectadas. Tangencialidade (não responde às perguntas) e pensamento circunstancial (com diversos detalhes perdendo-se ou retardando-se a conclusão da ideia)
Conteúdo
Conteúdo do pensamento inclui as crenças da pessoa e o que é discutido durante a entrevista. Estes podem ser idéias intrusivas angustiantes (pensamento obsessivo), ruminações (pensamentos recorrentes), fobias. Ideias supervalorizadas, delírio, grandiosidade, irradiação do pensamento, preocupações com o corpo (anorexia, bulimia), ciúmes patológico também devem ser explorados. Uma pessoa deprimida pode ter ideias de ruínas (“tudo está acabado”) e desesperança. Idéias suicidas e homicidas devem ser investigadas.
Cognição
Grau de pensamento abstrato (pode estar diminuído na demência e na esquizofrenia), a educação formal, inteligência, capacidade de concentração são medidos através de simples exercícios. O mini mental state examination é exemplo de questionário que pode ser aplicado para esta avaliação.
Consciência
O nível de consciência é avaliado: desperto, obnubilado, comatoso.
Orientação
Questões para saber se o paciente sabe onde está (orientação espacial) e o dia/mês/ano (orientação temporal). Questionar também se sabe quem é e qual sua situação (orientação autopsíquica).