A Saúde do Cérebro


As células nervosas denominadas de neurônios são de uma especificidade única no organismo humano, até a uma década atrás se dizia que o cérebro de um individuo adulto não era capaz de formar novos neurônios, mas hoje em dia se sabe que 10 % dos neurônios existentes no cérebro humano continua se formando na vida adulta, principalmente na parte do córtex cerebral conhecida como hipocampo, cuja função principal está relacionada aos processos de memória. De forma que existe no nosso cérebro não só neuroplasticidade, mas também neurogênese, ou seja, ele se modifica, mas também se regenera. Em outras palavras, o cérebro humano é dinâmico e se modifica favorável ou desfavoravelmente, de acordo com a influência que recebe do meio externo.
Um ambiente saudável que proporcione aprendizados novos ajuda o cérebro não apenas a se modificar, mas também a se regenerar, já um ambiente com estresse constante produz envelhecimento cerebral precoce, assim como drogas, excesso de álcool, gorduras saturadas em excesso e vida sedentária produzem dano neuronal. Porém, não acarreta dano somente ao cérebro, mas também a muitos outros órgãos, como o coração, por exemplo, porque estimula a produção de cortisol pelo organismo. Nunca se deve esquecer que o cortisol em excesso assim como as drogas matam neurônios.
O cortisol é uma substância produzida pelas glândulas suprarrenais necessário ao organismo para o seu sistema de defesa e alerta, mas quando aumenta muito dificulta a irrigação do sangue para o coração e para o cérebro e como consequência aumenta a pressão arterial e por sua vez também diminui a cota de oxigênio para ambos os órgãos. No caso do cérebro o cortisol não apenas dificulta sua oxigenação como também produz aumento dos radicais livres e consequentemente morte neuronal.
O nosso cérebro é fantástico não só pela quantidade de neurônios que possui – 100 bilhões de células, mas principalmente pela quantidade de conexões sinápticas que realiza – 100 trilhões de conexões.
Hoje em dia se sabe que tudo que faz bem ao coração faz também bem ao cérebro. O exercício físico faz tão bem ao cérebro como ao coração. O nosso cérebro é apenas 2 % do nosso peso corporal, mas consume em torno de 20 a 25 % da glicose e do oxigênio de todo organismo. Quando fazemos atividade física como caminhada ou outro tipo de atividade física aeróbica o cérebro aumenta a sua demanda por glicose e oxigênio, daí necessitar aumentar a sua produção de mais células nervosas e de sua neuroplasticidade para dar conta desta demanda. O exercício físico é um estimulante para cérebro. De imediato logo após o mesmo há produção de endorfina, uma espécie de estimulante interno que o organismo produz logo após o suor e que nos deixa feliz. A longo prazo quando a atividade física é realizada com frequência e moderadamente faz com que o cérebro entre num processo de neurogênese que pode trazer equilíbrio para o mesmo e nos deixar de bom humor
Ninguém imagina a quantidade de microfilamentos que existe entre os neurônios. É uma rede fantástica, mas um neurônio não está grudado um com o outro. A comunicação (o carregamento de uma informação ou de um impulso nervoso) de um neurônio para outro se faz em milissegundos através das sinapses – um micro espaço que existe entre um neurônio e outro. Quem se encarrega desta neurotransmissão química são os neurotransmissores que existem no nosso cérebro, como a serotonina, acetilcolina, a dopamina, a noradrenalina, etc. Os efeitos terapêuticos de muitos medicamentos sobre o nosso organismo, como os antidepressivos tão usados na atualidade ocorrem por conta de suas ações sobre os neurotransmissores, fazendo com que estes aumentem na fenda sináptica e consequentemente melhorem a neurotransmissão – a comunicação entre os neurônios.
A Neurobiologia molecular e suas técnicas têm mostrado que enzimas e receptores são sintetizados como proteínas no corpo celular pelo núcleo do neurônio, usando materiais genéticos deste e que esta tarefa pode ser modulada por adaptações fisiológicas, drogas e doenças. Finalmente os neurônios encontram-se em modificações dinâmicas em suas conexões sinápticas ao longo de toda a vida, em resposta ao aprendizado, experiências de vida, programação genética, drogas e doenças.
O que é fantástico nesta rede de neurotransmissão é que o impulso nervoso começa como impulso elétrico (pois o cérebro é carregado de eletricidade), sendo que este impulso nervoso que conduz as informações, como sentimentos, desejos e conhecimentos, etc. quando chega às sinapses precisa de um meio químico para chegar até ao outro neurônio e é aí que entram em ação os neurotransmissores. Daí a importância da neuroplasticidade que é mutável com o ambiente externo. A riqueza deste conhecimento é poder se afirmar que o nosso cérebro está sempre podendo se renovar, dependendo do uso que cada um faz dele. As células nervosas são plásticas, mutáveis e maleáveis, ou seja, os axônios e os dendritos que constituem a ligação de um neurônio com outro neurônio estão constantemente se alterando, estabelecendo novas conexões e removendo velhas conexões, que mais nos lembram uma árvore cujas folhas velhas vão sendo substituídas por folhas novas e que muitas vezes precisa passar por podas para se renovar.
São os conhecimentos e hábitos novos que adquirimos na vida adulta que faz o nosso cérebro se renovar. O efeito disto é igual a poda que se faz nas videiras depois de um período de dormência para que novamente elas venham a brotar e a se carregarem de belos cachos de uva. O que mais empobrece o cérebro humano, além da neurose de cada um, são os medos e os preconceitos. Certa dose de ousadia e curiosidade na busca do novo é sempre salutar para a vida dos neurônios. Por favor, se aposente em idade, mas não aposente os seus neurônios.